31 de ago de 2011

Sistema de Arquivo de Porto Alegre – SIARQ/POA

Porto Alegre inicia seu projeto de gestão documental em setembro de 2010 com a criação do Sistema de Arquivos de Porto Alegre – SIARQ/POA, através do Decreto 16.798, que tem por objetivo:


I – promover a integração dos arquivos existentes nas diversas unidades administrativas da Administração Centralizada do Município;

II – racionalizar e padronizar a produção documental;

III – assegurar a proteção e a preservação da documentação arquivística do Município;

IV – facilitar o acesso ao patrimônio arquivístico público, de acordo com as necessidades da administração pública e da sociedade;

V – normatizar o tratamento da informação arquivística a partir do uso de novas tecnologias.

Inicialmente os Comitês Estratégico e Gerencial, a Comissão Central de Avaliação de Documentos e os Órgãos Executivos estão trabalhando para a implementação de dois instrumentos arquivísticos, ou seja, o Plano de Classificação de Documentos e a Tabela de Temporalidade de Documentos.



ABAIXO, PARTES DO INQUÉRITO SOBRE O INCÊNDIO NO MERCADO PÚBLICO EM 1912- DOCUMENTO PERMANENTE NO SUBFUNDO SUBINTENDÊNCIAS DO AHPAMV

 







24 de ago de 2011

Sete de Setembro de 1922-Comemora-se o "Centenário da Independência do Brasil"









No acervo do AHPAMV, existe uma coletânea de jornais organizada pela Intendência Municipal de Porto Alegre datados de setembro de 1922. Estes jornais com carimbos do Arquivo da Intendência eram recebidos diariamente e editados em Porto Alegre, no interior do estado do RGS, em outros estados da Federação e no país vizinho Uruguai.







É interessante percebermos a diversidade de jornais que circulavam e eram lidos na nossa Cidade. Não sabemos se a iniciativa de encadernar os jornais deve-se a funcionários ou ao Intendente José Montaury de Aguiar Leitão que governou Porto Alegre por um longo período, entre 1897 a 1924.








Esta foi uma das formas de distinguir os festejos do centenário da Independência do Brasil. As encadernações de periódicos foram muito usuais na História do Brasil para marcar grandes comemorações.






Nas páginas de alguns destes periódicos (como A Federação), vemos quais os festejos foram promovidos para comemorar o centenário da Independência do Brasil. Dentre esses, temos missas, juramentos ao pavilhão nacional, formaturas em colégios, desfiles, bailes e inaugurações e uma comemoração típica da época, a Batalha de Flores.




Nessa brincadeira, famílias inscreviam-se previamente, levando para o dia marcado carros ornamentados com flores, em que desfilavam e jogavam uns nos outros doces (confeitos de açúcar) e flores, o que dá o nome à “batalha”. Esse tipo de festa é uma das origens do carnaval e foi importado do Rio de Janeiro, como o entrudo, que por sua vez inspirou-se nas festas européias.




As comemorações cívicas foram um momento de aproximação entre os governantes e o povo.


FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ARQUIVO HISTÓRICO

                                        UMA REFLEXÃO NO DIA DO PATRIMÔNIO CULTURAL

                                    



Ao longo do ano de 2011, o Arquivo Histórico oferece formação para os professores da rede de ensino municipal - SMED com o intuito de torná-los mediadores da relação Arquivo/ escola. Já foram realizados três encontros no primeiro semestre.


O segundo semestre começou com uma atividade de formação para que os educadores que atuam nas bibliotecas escolares pudessem conhecer o patrimônio guardado na Instituição, bem como os projetos de Educação Patrimonial, que preparam crianças e jovens para a valorização e reconhecimento desse patrimônio. Realizada no dia 17 de agosto, Dia do Patrimônio Cultural, envolveu a participação de 39 profissionais mobilizados pela parceria do Arquivo Histórico com a Direção das bibliotecas escolares da Secretaria Municipal da Educação,transformando o dia em momento de trocas muito especiais

Inicialmente, os professores fizeram uma visita guiada reconhecendo o patrimônio natural da Instituição representado pelo parque externo, que contém espécimes centenárias da flora local, nosso patrimônio edificado-os chalés do século XIX - e também o patrimônio documental acolhido num espaço especialmente construído para sua conservação.

 Na sequência da atividade, foi detalhado o Programa de Educação Patrimonial. Nesse momento, os educadores conheceram cenários , figurinos, material didático, assim como a metodologia utilizada para tornar este patrimônio acessível aos nossos estudantes.






  
A ideia desta formação é qualificar o professor para utilizar os projetos de educação do Arquivo como apoio parapedagógico ao seu planejamento de aula, uma vez que os temas e foco das atividades são também discussão nos currículos escolares.


Este encontro com os educadores foi uma forma de vivenciarmos o Dia do Patrimônio de maneira especial, pois refletimos sobre como educar a comunidade escolar para a preservação dos bens patrimoniais, superando,através da memória,a cultura do efêmero.

  


Sem o público nada disso seria possível, por isso agradecemos a participação de todos, colocando-nos à disposição das escolas municipais, reconhecendo-as como protagonistas do incansável trabalho de formar cidadania, para o qual oferecemos apoio com as atividades de educação patrimonial disponíveis na Instituição.

15 de ago de 2011

Genealogia e História de Família
A importância da pesquisa no Arquivo


Oficina das Origens
oficinadasorigens@gmail.com

Do grego genea (geração) logia (estudo, ciência, estudo), a genealogia é o estudo das gerações. Para Joaquim Tambosi, genealogia é “manter os antepassados vivos na memória dos descendentes; é a busca de informações para montar a árvore genealógica (nomes, datas e lugares dos antepassados)”. Luciana Grings, por sua vez, afirma que a pesquisa genealógica é uma fronteira entre a memória e a história, sendo objetiva e documental, mas também subjetiva, afetiva e mística, mágica, volúvel, sentimental.

Maria Helena Agra e Viviane Velloso pesquisando no Arquivo.





Para nós, o significado da genealogia transcende o tempo e o espaço, transportando-nos a histórias familiares em seus “pequenos mundos”. Através do domínio sem fim de fontes de pesquisa, podemos perceber a família, enquanto unidade interior, com suas regras próprias, conflitos, como valores, elementos dinâmicos de coesão e ruptura, mas também a entendemos como instrumento essencial de interpretação de movimentos e estratégias sociais, atuante e voltada para o exterior.Por isso, é imprescindível a pesquisa minuciosa em diferentes acervos. Através do trabalho incansável da coleta de dados nos mais variados documentos, é possível descobrir sobre a vida de cada indivíduo, desde seus elementos mais básicos da vida (nascimento, casamento e falecimento) até suas relações sociais, econômicas, culturais etc.

A parceria entre a genealogia e a História é inevitável, na qual o pesquisador deve ser persistente, pois o processo investigativo resgata fragmentos que vão demonstrando a complexidade de um estudo que envolve pessoas que, como nós, passaram os dias de suas vidas instalando-se, adaptando-se, sobrevivendo. Do mesmo modo, à medida que vamos coletando informações sobre cada indivíduo deparamo-nos com grande quantidade de detalhes possíveis de serem capturados na documentação disponível em arquivos e em nossos acervos familiares.


Exemplo vivo desse contexto é a documentação existente no Arquivo Moysés Vellinho. Foi inteiramente surpreendente, ao investigar a família de Serafim dos Anjos França, antepassado de uma de nossas colaboradoras, descobrir que ele havia doado as pedras usadas no feitio dos paredões da Alfândega. Na Correspondência Expedida pela Câmara, encontramos um ofício dos vereadores, agradecendo a doação:













Fonte: AHMV. Correspondência Expedida, 1.3.2.1/4, fls. 272v

Apesar de dispersos, o olhar do pesquisador – unido às tradições familiares – desvendam histórias e mergulham no passado que se revela através dos fragmentos de vidas. E esses fragmentos são relíquias que possibilitam tornar verdadeiras as vidas de pessoas que nos precederam. É por isso que devemos manter o passado sempre dentro de nós, existência inerente (às vezes oculta), mas sempre presente...

12 de ago de 2011

ATENÇÃO, PESQUISADORES!


ARQUIVO ABRE EM HORÁRIO ESPECIAL Como reconhecimento da necessidade de ampliar o horário de atendimento na Sala de Pesquisa, o Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho abrirá para esta atividade,como projeto-piloto,ainda em 2011, nos sábados previstos no cronograma abaixo, exclusivamente por agendamento:

27 DE AGOSTO

24 DE SETEMBRO

29 DE OUTUBRO

26 DE NOVEMBRO

10 DE DEZEMBRO




Horário: 9h às 13h

PROCEDIMENTOS

1-os interessados devem estar cadastrados;
2-o cadastro pode ser feito por e-mail, com antecedência, no
caso de novos pesquisadores;
3- a pesquisa deve ser agendada até quinta-feira ,às 17 horas
para viabilizar a separação prévia dos documentos
solicitados. Exemplo: o agendamento para o sábado, 27 de
agosto, deverá ser feito a partir da data deste aviso até quinta-feira,
dia 25, às 17 horas. A confirmação do mesmo será feita na sexta,dia
26,por e-mail.

CONTATOS:

atendimentoah@smc.prefpoa.com.br / 32197900



9 de ago de 2011

O Medo do Desafio e o Prazer da Descoberta





Leandra O. Pinto -Estudante de Ciências Sociais- Ex-estagiária em Educação Patrimonial no AHPAMV




“O Arquivo Histórico tornou-se um mundo repleto
de descobertas que esperavam por mim
todos os dias.”



Em junho deste ano, concluí o período de dois anos como estagiária do Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho e, portanto, precisei sair visto que alcancei o período permitido de experiência. A sensação que ficou em mim é de que o tempo passou muito rápido, e é interessante pensar que isso ocorreu em um Arquivo, local destinado à preservação da memória e, portanto, de um determinado tempo vivido. No entanto, o Arquivo não guarda apenas a memória contida nos documentos que registram a história de Porto Alegre, mas também, a história da própria Instituição, marcada por seu trabalho de excelência junto à comunidade porto-alegrense, tanto no sentido de disponibilizar à população local o acesso à documentação histórica, como pelo trabalho de formação dos profissionais de diversas áreas que procuram o Arquivo em busca de apoio em sua prática. Além disso, a Instituição conta com um amplo Programa de educação Patrimonial que disponibiliza visitas guiadas ao público em geral, assim como atividades voltadas aos grupos escolares. Milhares de pessoas de variadas faixas etárias já passaram pelo Arquivo, fortalecendo cada vez mais sua função como instituição formadora de cidadania.

Sabemos ainda que as instituições são formadas por pessoas, que através de seu trabalho, desenvolvem os princípios norteadores de uma instituição. No caso do Arquivo, vemos que está representado por uma equipe excepcional de profissionais que reconhecem a importante missão de preservação dessa memória local e portanto são responsáveis pelo reconhecido trabalho de maestria realizado junto à população, não apenas de Porto Alegre como de visitantes de outras cidades Tendo em vista a minha satisfação em ter passado por esse espaço que dentre tantas vivências, permitiu-me conhecer um pouco da história de Porto Alegre que - apesar de não ser minha cidade de origem - é a cidade que escolhi para viver e que me acolheu de tal forma, que hoje lhe confiro um pouco da minha identidade, não podia deixar de agradecer a todos aqueles que contribuíram para que minha experiência como estagiária fosse repleta de aprendizagens, tanto em relação ao contato com o mundo profissional como pela formação humana, uma das características fundamentais da Instituição. Como forma de agradecimento, me propus a realizar um depoimento sobre o meu tempo vivido no Arquivo para ser postado no blog da Instituição, cujos primeiros passos presenciei, e que hoje já se estabeleceu como mais uma ferramenta unindo o Arquivo e a população.

Esses dois anos em que estive no Arquivo foram repletos de desafios e descobertas, mas como se trata de um relato, lembrei-me de um fato que aconteceu na minha primeira semana de estágio e sempre esteve na minha narrativa quando o assunto era a experiência no Arquivo Histórico. Sabia que estava entrando na vaga destinada à Educação Patrimonial. Entendi, desde então, que minha função seria monitorar essas atividades, atuando tanto na pesquisa e preparação como na execução das mesmas. Pois bem, sabia quais eram meus atributos e, apesar de me sentir insegura com relação às monitorias, visto que não tinha experiência como educadora, estava consciente que, mais cedo ou mais tarde, teria de fazê-las. O que eu não sabia, é que a experiência no Arquivo Histórico seria muito mais complexa. Ali estava eu, nos primeiros dias, ainda me apropriando do espaço, quando fui requisitada naquele que deve ter sido o maior desafio de todos: forrar uma caixa de papelão. Mas como assim, qual o desafio em forrar uma caixa? Acreditava até então não possuir nenhum tipo de habilidade manual e estava convencida de que não conseguiria dar conta da tarefa. Com um pouco de receio, afirmei que não poderia realizá-la. Foi então que minha coordenadora, de modo simples, me falou: “É apenas uma caixa de papelão. Não precisa ficar perfeita, apenas precisa ficar forrada.” Em seguida, vendo que continuava angustiada, pois não sabia nem por onde começar, levantou-se e forrou rapidamente uma caixa, afirmando que habilidade não é algo que uns têm e outros não, mas uma capacidade que se conquista através de compromisso e disciplina.
Talvez esse fato tenha sido um marco de transição entre o medo do desafio e o prazer da descoberta. Nesse dia, forrei três caixas e não me lembro de ter ficado antes tão satisfeita com a realização de uma atividade manual. A cada dia que se passava, minha criatividade era desafiada, e uma nova habilidade ia sendo conquistada. O Arquivo Histórico tornou-se um mundo repleto de descobertas que esperavam por mim todos os dias.

Leandra na oficina de brinquedos (usando garrafas pet ) no Lar Fabiano -dezembro 2010

Pude observar que outras pessoas que passaram pelo Arquivo compartilham desse sentimento, atuando como parceiros da Instituição. Essa é a melhor forma de retribuir a experiência gratificante de poder fazer parte, por um período, de uma instituição modelo voltada ao desenvolvimento de capacidades tão necessárias ao convívio social. Foi no Arquivo que aprendi que não há limites nem obstáculos para aqueles que trabalham visando a uma missão:a de servir a comunidade com compromisso e competência. Por isso, relatar minha experiência é uma forma de agradecer a todos aqueles que contribuíram nessa minha trajetória, assim como difundir a natureza formadora do Arquivo Histórico que está à disposição de todos que, como eu, buscam um espaço capaz de oferecer uma experiência rica de preparação para a vida profissional, assim como para a vida comunitária.
 

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