30 de out de 2012

Os riscos causados pelos agentes biológicos no acervo...


  Os acervos documentais podem sofrer o ataque de diversos tipos de agentes de degradação, dentre os quais podemos destacar os biológicos que podem ser os micro-organismos, insetos ou roedores.
Fique de olho e saiba identificar quais são os principais e quais são as consequências de cada ataque aos documentos.

·        Fungos
Têm preferência por ambientes quentes e úmidos que favorecem o seu desenvolvimento.
Principais consequências: Criação de manchas de colorações diversas (amarelo, roxo, marrom); Criação de mofo; Os fungos destroem a celulose e a cola utilizada na fabricação do papel, deixando o papel poroso.


 


 ·        Barata
São atraídas para o acervo em busca de resíduos de alimentos.
Principais consequências: Seu ataque é muito parecido ao da traça, causando danos nas superfícies de documentos e encadernações; Alguns papéis podem apresentar a extremidade roída.

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·        Traça
Tem preferência por locais escuros e úmidos. Devido ao seu corpo ser plano, ela consegue penetrar entre as folhas, bem como por trás dos móveis.
Principais consequências: A traça desbasta a superfície do papel, couro e fotografias. Seu ataque parece um leve arranhão.











·        Cupim
Apesar de terem preferência pela madeira, também atacam a celulose em geral. Sendo assim, muitas vezes os livros e documentos são utilizados somente como passagem para alcançar algum madeiramento. O ataque acontece, principalmente, na fase larval deste inseto.
Principais consequências: Ocorre a perda de informação devido aos “buracos” que se formam no suporte papel.






·        Broca
O período mais destrutivo ocorre na fase de larva. A broca se alimenta da celulose, da cola da encadernação e da encolagem existente no papel.
Principais consequências: Ocorre a perda de informações devido ao “rendilhamento” do papel e a perfuração das folhas compactadas ou encadernadas; São responsáveis pela criação de um resíduo ou pó de broca (devido à escavação realizada nos documentos)..











·        Ratos
Alimentam-se de restos de alimentos, porém para se manterem aquecidos utilizam papéis, couros, tecidos e plásticos picados, principalmente na confecção de ninhos para reprodução. Têm preferência por ambientes escuros, quentes e úmidos.
Principais consequências: Além do perigo de grandes estragos nos documentos, os ratos oferecem o risco de transmissão de doenças como a leptospirose, por exemplo.










FIQUE ESPERTO!
Quais as formas de combater estes agentes nos arquivos?

  Estabelecer um programa de controle ambiental, evitando-se ambientes com temperatura(T) e umidade relativa (UR) do ar elevadas, bem como devem ser evitadas as oscilações acentuadas. Portanto, deve-se respeitar os níveis de T e UR ideais para preservação, conforme recomendações da bibliografia da área;
      Realizar a circulação do ar no ambiente;
     Sistematizar uma rotina de higiene;
   Manter vigilância constante nos documentos contra acidentes com água, providenciandosecá-los imediatamente.
  Contar com a colaboração da equipe, através de capacitações de como devem atuar na prevenção destes agentes.
  É expressamente proibido alimentos no acervo, pois é atrás desses resíduos alimentares que muitos agentes biológicos se instalam neste local.
  Manter uma rotina de desinsetização e desratização, através da contratação de uma empresa especializada no assunto.
    Retirar ou isolar os documentos infectados.
  Somente após descobrir e eliminar as causas dos problemas, os documentos deverão retornar ao acervo.

DOCUMENTO HISTÓRICO:OBJETO DA EP 4


Documentos usados na Educação Patrimonial 4 -
Auditório Araújo Viana e a música

O auditório Araújo Vianna é símbolo de espaço cultural na cidade de Porto Alegre. Sua História vem de longe, mais precisamente,da década de 20 do século passado quando o governo de Otávio Rocha remodela o centro e abre novas vias na Cidade. Lembrado por seu notável olhar para a cultura, ele aceita a sugestão do amigo Pereira da Silva,médico que,numa viagem à Alemanha,conhece um auditório aberto e com concha acústica. Então,inaugura,no dia 19 de novembro de 1927,um espaço para 1.200 pessoas na Praça da Matriz.



O primeiro auditório com seus bancos de cimento onde hoje é a Assembléia legislativa (Revista do Globo/ 1929).



Fonte:  livro Auditório Araújo Vianna-30 anos de Elisabete Tomasi e Simone Derosso. Porto Alegre: Unidade editorial, 1994

As principais apresentações envolviam a música: foi sede da Banda Municipal, recebia corais, grupos folclóricos e servia de palco para ensaios de óperas. Em 1967, ele é totalmente transferido para sua nova sede na Redenção, deixando o espaço na Praça da Matriz para a Assembleia legislativa.


O auditório já na Redenção, inaugurado em 1964, com capacidade para 4.500 pessoas (  capa do Livro Araújo Vianna – 30 anos)
  

Foto do convite da inauguração acontecida no dia 12 de março


O nome do auditório é homenagem ao grande maestro gaúcho que é conhecido como compositor oficial de Porto Alegre. Sua obra mais importante é Carmela que vemos discutida no jornal abaixo depois da apresentação no Theatro São Pedro em 1902.



 Fonte:  Jornal A Federação – 1902

  


Aqui, anúncio dos espetáculos apresentados no Theatro São Pedro com menção à ópera Carmela

Esta documentação mostrada aos estudantes permite ampliar a discussão sobre a experiência musical que é uma arte feita de muitos elementos, perpassando toda a história da humanidade.

No Projeto Sons da natureza: a expressão sonora da vida, há um cenário especialmente montado contendo: harpas, flautas egípcias, cítaras, lira romana, a caixinha de música, o gramofone, a vitrola,   instrumentos que permitem aos personagens Simphonius e Modulatus interagir com as crianças, contando de forma mágica a  história da música feita, também, de documentos.




Fotos:cenários e personagens


Os projetos de Educação Patrimonial da Instituição estão disponíveis às escolas gratuitamente. Agendamento  com Rosane Fluck Fone:32197900 ou 32898284









24 de out de 2012

O QUE UM ARQUIVO HISTÓRICO OFERECE AO PESQUISADOR?

      Muitas são as perguntas sobre o que é um arquivo histórico, o que guarda, o que disponibiliza ao pesquisador. O Arquivo Histórico de Porto Alegre  Moysés  Vellinho não foge à regra. Moradores do  Partenon,de outros bairros e turistas,de   diversos graus de escolaridade  entram  num dos casarões do Arquivo, instigados  por uma saudável curiosidade:

      

O que  é um arquivo? É o mesmo que museu? Quem frequenta ? Pode ser visitado? Os documentos podem ser consultados por todos?
    
   Bem, o Arquivo Histórico de Porto Alegre guarda os documentos permanentes da história de Porto Alegre( principalmente os documentos públicos). Há, aproximadamente 1.500.000  folhas documentais guardadas no anexo climatizado e construído (em 1999) segundo as normas de preservação e conservação  arquivísticas.São atas da Câmara,(desde o século dezoito)correspondência,relatórios do Gabinete do Prefeito, documentos das secretarias de governo,projetos de lei etc. Além  disso, guarda mapas,plantas, jornais, revistas e um acervo bibliográfico sobre a Cidade e outros temas relacionados.
           

Como  funciona a  Sala de Pesquisa?
    
  A   movimentação de documentos  é mais significativa que o número de pesquisadores, pois  os documentos do Arquivo exigem pesquisa continuada     e     tempo disponível.
        Mensalmente, temos em média, 70 atendimentos, podendo chegar a mais de 90, mas  é grande o volume de documentos, jornais, livros, mapas, plantas, recortes de jornal  consultados.
    Em 2012, temos tido   aproximadamente  3000 periódicos (jornais e revistas) consultados mensalmente. A consulta aos documentos (como atas, relatórios, projetos, estudos, etc.)  varia de 3000 a 6000  cada mês.O número de recortes e livros consultados  é bem menor: 80 recortes e 70 livros em média mensal.









MOVIMENTO EM 2011
Atendimentos 
751  presenciais 164  por telefone 113  por e-mail

Material consultado: 
63758  periódicos  
955 recortes de jornal 
781 mapas e plantas  804 livros  112.597 folhas documentais  

Em 2011, os temas mais pesquisados  foram
 1- A história dos bairros   2-A história de Porto Alegre e 3-Esportes
Em 2012, a  tendência é  semelhante. As fontes mais utilizadas foram a hemeroteca, os documentos da Câmara    de Vereadores,Intendência, Fazenda,mapas de Porto Alegre e livros sobre a Cidade.









23 de out de 2012

TRABALHADORES INVISÍVEIS



Obra de manutenção dos chalés do Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho




Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída
--Quem a reconstruiu tanta vezes?
Em que casas
Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo
Quem os ergueu? Sobre quem  Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para os seus habitantes? Mesmo
na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histórias.
Tantas questões.




Poema de Bertold Brecht
Perguntas de um trabalhador que lê





Os trabalhadores... 







...as histórias...












... a questão:

Nosso dever de incluir os trabalhadores na história do Arquivo  de Porto Alegre Moysés Vellinho





19 de out de 2012

20 DE OUTUBRO:DIA DO ARQUIVISTA



No dia 20 de outubro, comemora-se o Dia do Arquivista.

Para muitos, e até mesmo  para alguns profissionais da área, é uma profissão nova ou mesmo desconhecida.

No entanto, o município de Porto Alegre, já em 1896, através do Ato nº 9, de 15 de junho,  promulgado pelo Intendente ao regulamentar a Secretaria da Intendência, estrutura instalada em 1892, após a Proclamação da República, institui o cargo de ‘archivista’,ao qual eram atribuídas as seguintes competências:
·”receber, emassar e rotular todos os documentos que lhe forem entregues;
· encadernação dos jornais, relatórios, mensagens, leis e mais papéis que o Diretor da Diretoria central designar;
·fornecimento, mediante recibo em livro especial, dos documentos que lhe forem pedidos pelas Diretorias;
·catalogação de todos os livros e documentos pertencentes ao Arquivo;
·passar, com autorização do Intendente, as certidões que houverem de ser extraídas de livros e documentos arquivados.”

Em 1978, a Lei Federal n° 6.546, de 4 de julho, dispõe sobre a regulamentação da profissão de Arquivista, que somente poderá ser exercida após formação em curso de nível superior, de conformidade com a mesma lei, e para a qual determina as seguintes atribuições:

·  “planejamento, organização e direção de serviços de Arquivo;
·  planejamento, orientação e acompanhamento do processo documental e informativo;
·planejamento, orientação e direção das atividades de identificação das espécies documentais participação no planejamento de novos documentos e controle de multicópias;
·planejamento, organização e direção de serviços ou centro de documentação e informação, constituídos de acervos arquivísticos e mistos;
·planejamento, organização e direção de serviços de microfilmagem aplicada aos arquivos;
·orientação do planejamento da automação aplicada aos arquivos;
·orientação quanto à classificação, arranjo e descrição de documentos;
· orientação da avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação;
·promoção de medidas necessárias à conservação de documentos;
·elaboração de pareceres e trabalhos de complexidade sobre assuntos arquivísticos;
·assessoramento aos trabalhos de pesquisa científica ou técnico-administrativa;
·desenvolvimento de estudos sobre documentos culturalmente importantes.”

Este ano, a Prefeitura de Porto Alegre, através da Lei Municipal nº 11.283, de 23 de maio, determinou o seguinte em seu parágrafo 1º:
“Fica incluída no Anexo à Lei nº 10.904, de 31 de maio de 2010, e alterações posteriores, a efeméride a seguir descrita:


OUTUBRO

Dia 20 – Dia do Arquivista

PARABÉNS AOS ARQUIVISTAS!




17 de out de 2012

DOCUMENTO HISTÓRICO:OBJETO DA EP 3


Documentos usados na educação patrimonial 3 -
Primeira Sessão da Câmara de Vereança em Porto Alegre




Réplica do final da ata da primeira reunião na Câmara de Vereança de Porto Alegre. 

    Ver a ata acima é possível às crianças das séries iniciais do Ensino Fundamental no Projeto Papel antigo e Papel Velho.  A réplica está no cenário ocupado pelo Secretario da Câmara de Vereança que só é acessado pela máquina do tempo. Ele a escreve com sua pena, com a tinta ferrogálica sob uma folha de papel de trapos bem nova, mas que poderá ser vista com seus mais de 240 anos nos documentos guardados no acervo do Arquivo Histórico.

 




Cenário: escritório do Secretário das Atas




Ata original da Primeira sessão da Câmara realizada em Porto Alegre aos seis de setembro de 1773 - Protocolo Final (página 168-parte superior da página))
E por não haver que deferir assinou o dito juiz e mais oficiais da camara Eu Domingos Martins Pereira escrivão que o escrevi
Moreira , Manuel Velloso Tavares , Ventura Pereira Maciel , Domingos Gomes Ribeiro , Joze Alves Velludo

Imaginar que documentos foram produzidos com uma técnica totalmente diversa da nossa, permite vislumbrar com lentes muito coloridas a realidade do século XVIII em que esta cidade,um porto precário, se torna a capital e começa a formar a realidade  que vivemos hoje, mas que em pouco tempo também será história guardada neste espaço que está a serviço da memória – a memória de Porto Alegre vista a partir da documentação administrativa.

Os projetos de Educação Patrimonial da instituição estão disponíveis às escolas e grupos gratuitamente.






10 de out de 2012

ESTUDANDO O PAPEL DAS ANTIGAS CÂMARAS MUNICIPAIS


9 de out de 2012

Professores de Igrejinha realizam atividade de Educação Patrimonial no Arquivo.




     No sábado, dia 06 de outubro, o Arquivo Histórico recebeu os educadores da rede de ensino de Igrejinha para vivenciar o Projeto Sons da Natureza - expressão sonora da vida.
Envolvidos numa formação que visa estimular práticas pedagógicas que incluam o patrimônio local, a experiência no Arquivo,disponibilizada aos alunos das séries iniciais do ensino fundamental, permitiu reconhecer atividades em que o patrimônio é objeto do processo ensino-aprendizagem.
     Os professores foram sensibilizados para o patrimônio natural

   
 para o arquitetônico

 
   
para o documental, em especial os documentos do Auditório Araújo Vianna


 
      Finalizando a atividade, a história da música é contada pelos personagens Modulatus e Simphonius,que instigam os participantes a tocar os instrumentos de percussão.






A apresentação cênica contou com a participação de um público inusitado: trabalhadores que estão envolvidos na obra de manutenção dos chalés que abrigam a Instituição.

 

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