6 de jul. de 2020


As Instituições de Saúde Porto-Alegrenses: sua História e realidade

Santa Casa de Misericórdia


Fernanda Sayão Lobato Teixeira


A Santa Casa de Misericórdia, ou conhecida inicialmente como Hospital da Caridade de Porto Alegre, é o hospital mais antigo do Rio Grande do Sul e está diretamente interligada com o início da história da capital.
Porto Alegre teve sua fundação em 1772, no período em que os dois países ibéricos disputavam domínio das terras brasileiras. Muitos foram os acordos firmados para resolver esse impasse, até que em 1801, o estado gaúcho se tornou domínio do império português.
Como não havia hospitais neste período e os enfermos eram atendidos a domicílio e em albergues, o príncipe regente Dom João VI permitiu que o Irmão Joaquim Francisco do Livramento – que era conhecido por percorrer as vilas coloniais e fundar instituições de saúde aos necessitados, como a Santa Casa de Misericórdia do Desterro, em Santa Catarina – criasse uma instituição semelhante em Porto Alegre também.  Em 1903, iniciara a construção da primeira Santa Casa na capital. Recebeu o status de Misericórdia em 1814, recebendo rendimentos que seriam entregues para aplicar na construção.
As primeiras salas de enfermaria e a capela Senhor dos Passos, foram inauguradas em janeiro de 1826, neste período o administrador era o próprio presidente da Província, o Visconde de São Leopoldo, que vinha fazendo um grande trabalho no desenvolvimento da instituição.
Conforme o Compromisso da Misericórdia de Lisboa (conjunto de regulamentos de administração das Santas Casas de Misericórdia, aprovada pelo rei D. Manuel I), a instituição tinha como objetivo acolher crianças abandonadas, cuidar dos doentes, amparar os mais velhos que não tinham onde se asilar, enterrar os mortos, combater epidemias e tratar dos mais pobres e escravos que procuravam a instituição para curar das diversas enfermidades. Além disto, a Santa Casa socorreu militares feridos na Guerra Civil Farroupilha e a Guerra do Paraguai.
A instituição se viu diante de várias doenças epidêmicas, como a febre amarela e a cólera abrigando diversos doentes. Diante disto, foi preciso reforçar os cuidados sanitários e criar a sua própria farmácia.

Hospital Santa Casa de Misericórdia no século XX.



O cenário do desenvolvimento científico da medicina no estado, tomou forma a partir do início do século XX, com a fundação da primeira faculdade de Medicina do Rio Grande do Sul em 1898. Isso trouxe uma imagem de transformação nas condições de exercício e ensino da área médica, representando uma grande expansão da ciência daquela pequena instituição. Outro projeto foi idealização da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, conhecida atualmente como a Faculdade de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Diante dessa enorme transformação que a Santa Casa vinha tendo com o passar do tempo, a instituição resolveu criar um amplo complexo de hospitais com suas determinadas especialidades. São elas: o Hospital São Francisco (1930 — destinada para atendimento aos pacientes privados, com o objetivo de melhor cumprir a missão da Misericórdia), o Pavilhão Daltro Filho (1940 — destinada para a Maternidade Mário Totta e enfermarias e consultórios), o Hospital São José (1946 — destinada para a neurocirurgia), o Pavilhão São Lucas (1948 — destinada para a hematologia), o Pavilhão Cristo Redentor (1948 — destinada para enfermarias e serviços), o Hospital da Criança Santo Antônio (1953 — destinada para a pediatria), o Pavilhão Pereira Filho (1965 — destinada para a pneumologia), o Hospital Santa Rita (1967 — destinada para a oncologia) e o Hospital Dom Vicente Scherer (2001 —  destinada para transplantes).
No século atual, a instituição gaúcha é conhecida por ser a pioneira no país por realizar transplantes de rim e pâncreas, transformando a Santa Casa em um dos maiores centros de transplante de órgãos da America Latina. Além disso, com o advento da tecnologia, foi a principal ferramenta na contribuição no crescimento da ciência que a instituição dispõe, a qualificação dos profissionais e a dedicação dos mesmos.
Apesar dos tempos de crise que a instituição passara dentro desses 516 anos de existência, a Santa Casa de Misericórdia sempre deu o seu melhor pautado pela ética, moral, humanismo, equidade e credibilidade, com o intuito de difundir sua história e além claro, empreender, inovar através do desenvolvimento, do ensino e da pesquisa em prol da vida dos porto-alegrenses. 


Referências

BARROSO, Vera Lúcia Maciel. CENÁRIOS DOCUMENTAIS DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE PORTO ALEGRE: FONTES DE PESQUISA PARA A HISTÓRIA DA CIDADE E DO RIO GRANDE DO SUL. XXVII Simpósio Nacional de História – Conhecimento histórico e dialogo Social – ANPUH. Jul. de 2013. Disponível em: http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364261246_ARQUIVO_TEXTOARQUIVOSANTACASAPORTOALEGREVERABARROSOsemresumo.pdf

CENTRO HISTÓRICO DA SANTA CASA. História. Disponível em:  https://www.santacasa.org.br/pagina/sobre-a-santa-casa

SANTA CASA DE MISERICÓRDIA. Sobre a Santa Casa. Disponível em:  https://www.chcsantacasa.org.br/chc-santa-casa/historia/

STREB, Luís Guilherme. Santa Casa de Misericórdia, Hospício São Pedro e Loucura: Notas sobre os primórdios da Psiquiatria em Porto Alegre. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. Vol. 29 no. 1, Porto Alegre Jan./Abr. de 2007.  


Wikipédia. Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.  Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Casa_de_Miseric%C3%B3rdia_de_Porto_Alegre 


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