2 de abr de 2013

Os riscos causados pelos agentes ambientais no acervo...




Hoje apresentaremos os fatores existentes no próprio ambiente físico do Arquivo e que podem causar severas deteriorações aos documentos. Esses agentes são denominados agentes ambientais ou físicos,e os principais são: temperatura, umidade relativa do ar, radiação da luz e qualidade do ar.


Temperatura (T) e Umidade relativa (UR)
Quando temos uma temperatura e umidade relativa altas poderemos detectar, por exemplo, a presença de colônias de fungos nos documentos. Agora quando tivermos temperatura e umidade relativa do ar muito baixas, poderemos ter, por exemplo, documentos distorcidos e ressecados.
As flutuações de temperatura e umidade são ainda mais prejudiciais que os índices elevados ou muito baixos. Geralmente, os materiais encontrados em acervos são higroscópicos, ou seja, absorvem e liberam umidade facilmente e, portanto, se expandem e  se contraem conforme as variações da T ou UR. Tais mudanças bruscas podem causar ondulações e franzimento do papel, descamação de tintas, empenamento de capas de livros e rompimento de emulsões fotográficas.

 Imagem 1 – Documento com ondulações



Radiação da luz
Toda fonte de luz,seja ela natural ou artificial,emite radiação nociva aos  documentos, provocando danos através da oxidação.
A luz é considerada um dos principais agentes de degradação, podendo ser uma das causas do papel ficar quebradiço, frágil, amarelecido ou escurecido. As tintas podem desbotar ou mudar de cor, alterando a legibilidade dos documentos. Portanto, qualquer exposição à luz é nociva e o dano é cumulativo e irreversível!

Imagem 2 - Documento com danos causados pela radiação da luz



Qualidade do ar
O controle da qualidade do ar é essencial num programa de conservação de acervos.  Existem 2 (dois) tipos de poluentes: os gases e as partículas sólidas.
Poluentes como o dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio e o ozônio são gases que provocam reações químicas, com formação de ácidos que causam danos sérios, como por exemplo, papel quebradiço e descolorido; e o couro, por sua vez, perde a pele e se deteriora.
A sujeira e o pó também são grandes inimigos dos documentos, pois além da capacidade abrasiva, esses elementos contêm químicos e esporos de fungos.



FIQUE ESPERTO!
Algumas formas de identificar e combater esses agentes nos acervo

    

ü Estabelecer um programa de controle ambiental, evitando-se ambientes com temperatura (T) e umidade relativa (UR) do ar elevadas ou muito baixas, bem como devem ser evitadas as oscilações acentuadas. Portanto, deve-se respeitar os níveis de T e UR ideais para preservação, conforme recomendações da bibliografia da área.
ü Realizar a circulação do ar no ambiente, pois isso ajuda a amenizar os efeitos da temperatura e umidade relativa elevadas.
ü Manter vigilância constante nos documentos contra acidentes com água, providenciando secá-los imediatamente. A presença de água  interfere no nível de umidade do ambiente.
ü Para ambientes com umidade alta, uma das recomendações é a colocação de aparelhos desumidificadores. Entretanto, antes de adquiri-los é importante buscar a consultoria de um profissional da área para realizar um estudo do ambiente, levando em conta os seguintes fatores: volume total do ambiente, quantidade e tipo de aparelhos necessários, tamanho dos equipamentos, capacidade do reservatório (onde fica armazenada a água), defrost control, entre outros.


Imagem 3 – Desumidificador



ü O monitoramento do ambiente poderá ser feito com um“termohigrômetro” ou “termohigrógrafo”. Esse aparelho realiza a medição da temperatura e umidade relativa do ar. 

Imagem 4 – Termohigrômetro digital





üPara medir a intensidade da luz, utilizamos um aparelho chamado “luxímetro” ou “fotômetro”.



Imagem 5 – Luxímetro



 ü  Os danos causados pela luz são reduzidos com a utilização de cortinas e persianas, assim como pelos filtros contra os raios ultravioleta colocados nas janelas.
ü Deve-se evitar principalmente a luz natural e as lâmpadas fluorescentes, que são fontes geradoras de UV (ultravioleta).
ü Por fim, pesquisadores e demais usuários da nossa Sala de Pesquisa, tenham sempre cuidado com a incidência da luz solar sobre os documentos. Portanto, mantenham a janela fechada ou deixem os documentos distantes dos raios solares.





Fontes consultadas:
Cassares, Norma C. Como fazer conservação preventiva em arquivos e bibliotecas. Projeto Como fazer 5. São Paulo: Arquivo do Estado e Imprensa Oficial, 2000.
OGDEN, Sherelyn. Meio ambiente. 2. ed. Rio de Janeiro: Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos: Arquivo Nacional, 2001.
The British Library. Preservação de documentos: métodos e práticas de salvaguarda. Trad. Zeny Duarte. Salvador: EDUFBA, 2000.


1 comentários:

CMenegaz disse...

Muito bacana a postagem !!!!!!! Parabéns à equipe do AHPAMV.

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