30 de nov de 2011

Análise da variação do som através de registro escrito em jornais gaúchos do século XIX



Roberto Francisco Nasi(1)



O Arquivo Histórico Moysés Vellinho tem sido o ambiente de trabalho do grupo de pesquisa em Linguística Histórica formado inicialmente por Roberto Nasi acerca da coleta de dados para sua dissertação de mestrado. A pesquisa é realizada sob supervisão da orientadora, a Profa. Dra. Valéria Monaretto, com o objetivo de analisar regras variáveis fonológicas através do registro escrito em textos antigos. O grupo também conta com o auxílio dos bolsistas da graduação Rafael Silveira da Silva, Felipe Silveira e também contou, em algumas tardes com a ajuda da bolsista de graduação Melissa Osterlund.
A pesquisa segue o princípio do uniformitarismo de Labov (1994), que afirma que quando a língua perpetua e realiza sua transmissão através das épocas, conclui-se que os contrastes e elementos representados estavam sim, na língua mais antiga.
Em vista disso, pretendemos analisar a variação da fala expressa através da escrita. Tomamos o texto escrito como “o ato de fala supostamente ouvido” (Schneider, 2003), aceitando que a “ortografia sugere processos fonológicos”, e filtrando o lixo ortográfico (lapsus calami), a variação puramente gráfica a fim de coletarmos dados de ortografia significativamente fonológica (Lass, 2000), isto é, palavras nas quais a relação entre som e letra realmente revele algum comportamento de variação já atestada.
Conforme os processos fonológicos já atestados na sincronia (em trabalhos que analisam o comportamento de falantes), pretendemos atestar a variação fonológica também existente na época da escrita dos jornais gaúchos do século XIX.
Primeiramente estão sendo analisados os jornais do Arquivo Histórico Moysés Vellinho. Nos baseamos na tipologia trazida por Monaretto (2005) e criamos um quadro para classificar o tipo de dado coletado de acordo com a regra variável que ele possibilita analisar.

Abaixo, alguns exemplos de dados coletados:



Na seção “Periquitada” em “A Gazetinha” do dia 22 de novembro de 1891, vemos a harmonia vocálica  em “muchila”.




Na edição de O Povo, 24 d outubro de 1838, vemos a palavra "distino" atestando o mesmo fenômeno.




A pesquisa está em caráter preliminar, o que ainda nos traz um número de dados reduzido para uma análise mais quantitativa. Esse tipo de estudo, devido a certas dificuldades para a execução de todas as estratégias de análise propostas, toma um caráter mais qualitativo em seus resultados.



Referências

LASS, R. Historical linguistics and language change.Cambridge studies in Linguistic. University Press. 2000

LABOV, W. Principles of Linguistics Change. Vol.1: Internal Factors.Blackwell. 1994.

MONARETTO, V. O estudo da mudança de som no registro escrito: fonte para o estudo da fonologia diacrônica. Letras de Hoje. Porto Alegre, v.40, nº3, p.117-135. 2005

SANKOFF, David. Variable rules. In: AMMON, Ulrich; DITMAR, Norbert; MATTEIR, Klaus (eds.) Sociolinguistics: an international handbook of language and the society. New York, Walter de Gruyter, 1988. p.984-988.___ (org.) . Diversity and Diachrony. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 1988.

SCHNEIDER,  E. Investigating Variation and Change in Written Documents. In: Chambers, J. K., Peter Trudgill And Natalie Schilling-Estes (Eds). The Handbook of Language Variation and Change. Blackwell Publishing, 2003.



[1] Mestrando em Teoria e Análise Linguística - Fonologia e Morfologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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