7 de jun de 2010

Um Capítulo Crucial da História da Indústria no RS é Recuperado

À esquerda, imagem do interior da fábrica retirada da publicação Wallig alusiva aos 60 anos da empresa(1964). À direta, foto realizada no mesmo local em abril de 2010.


A arqueóloga Angela Capelletti e o historiador Érico Fernandez, entre outros, trabalham na escavação e no levantamento de documentação escrita e oral que prevê a criação de um Memorial sobre duas histórias que se cruzam na Porto Alegre do séc. XX: a extinta fábrica e metalúrgica Fogões Wallig e o desenvolvimento dos bairros Cristo Redentor e Passo D´Areia, zona norte de Porto Alegre. A ação faz parte do processo de implantação de um shoping na Avenida Assis Brasil, no terreno antes ocupado por aquela fábrica, e foi determinada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), como medida compensatória.

A equipe - que ocupa um container junto às obras do futuro shoping - tem realizado entrevistas com os trabalhadores da antiga fábrica, com moradores do entorno, bem como realizado pesquisa bibliográfica e documental em diversas instituições, entre elas, o Arquivo Histórico de Porto Alegre (AHPAMV).

No AHPAMV, foram encontradas as plantas das três unidades da antiga Wallig, além de relatórios da Prefeitura sobre o desenvolvimento daquela região ao longo do século passado e imagens de anúncios da Wallig, principalmente na coleção de revistas O Globo.

Nas escavações junto ao terreno, foram recolhidos fragmentos de cerâmica que lembram a cerâmica guarani, misturados a fragmentos dos utilitários domésticos de uma ocupação do século XIX, possivelmente uma chácara. A equipe também está recuperando o que restou do maquinário da fábrica. Todo material encontrado ficará sob a guarda do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo.



A arqueóloga Ângela Capelletti ressalta a importância de contar a história desse extinto império industrial, mas principalmente, recuperar para as gerações futuras o exemplo dos homens e mulheres que lá trabalharam, e que - a partir da falência da fábrica nos anos 80 – criaram as cooperativas COOMEC (Cooperativa Industrial Mecânica dos Trabalhadores da Wallig Sul) e COOFUND (Cooperativa Industrial de Fundidos dos Trabalhadores na Wallig Sul Ltda.).

3 comentários:

zealfredo disse...

Eu havia escrito algo a respeito de minhas lembranças da Wallig: Voltas em Torno do Umbigo .
[]

Flavio H. disse...

Parabéns a todo pessoal envolvido na recuperação dos documentos sobre a Wallig. Meu tio-avô, Arthur Heinz, engenheiro eletromecânico da turma de 1919 da Escola de Engenharia de Porto Alegre foi, ao que me consta, diretor da Wallig por muitos anos. Há histórias familiares deliciosas sobre a marca Wallig e a robustez de seus produtos. Um tio me contou que certa feita um engenheiro norte-americano, em visita à fábrica, ficou surpreso com apresentação feita sobre os fogões ali produzidos e sua reputada durabilidade, fama da qual a empresa se orgulhava particularmente. Para frustração dos anfitriões, o visitante comentou que, produzindo daquela forma, os primeiros clientes da empresa jamais voltariam a comprar seus produtos posto que seus fogões durariam para sempre! Esta não foi, é claro, uma análise objetiva, mas talvez tenha servido como uma lembrança externa do imperativo da obsolescência que o nosso capitalismo local parecia ignorar. A única filha de Arthur Heinz, Laís Fogliatto, está viva e muito lúcida em seus mais de 80 anos e poderia certamente aportar algumas informações úteis à pesquisa.
Flavio M. Heinz, PUCRS

Eurolinguas Escola de Idiomas disse...

muito legal,seu relato

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