16 de mai de 2013

Os fatores internos de degradação do papel



      Nas postagens anteriores,abordamos os fatores externos que influenciam na degradação do papel, tais como os agentes biológicos (traça, cupim, broca) e os agentes ambientais (temperatura, umidade, poluentes). Hoje apresentaremos os fatores internos, que são os males inerentes à própria estrutura do papel e ao seu processo de fabricação. Portanto, essa causa diz respeito à composição, aos tipos de colagem, aos tipos de fibras, aos resíduos químicos; e ainda, quando falamos nos agentes internos, lembramo-nos principalmente do problema da acidez1 e alcalinidade2.
           
Saiba mais:

- Tipo de fibra que compõe o papel: os de trapos de algodão e linho são os de maior
durabilidade. A fibra da madeira, quando não sofre o processo necessário
para eliminação da lignina
3, torna o papel de baixa qualidade em cor, textura e
resistência, ou seja, torna-se quebradiço e com um aspecto amarelado. A maioria dos papéis produzidos hoje é com fibra de madeira.
- Encolagem: é o processo sofrido pelo papel após o seu processo de fabricação, quando lhe é aplicada uma substância que tem como finalidade fixar a tinta de escrever e de impressão. O uso desta cola evita que a tinta se
espalhe por todo o papel, fixando-a sem borrões. Se o papel não receber essa
cola, ele absorverá a tinta como um mata-borrão
4. Quando os produtos químicos não são eliminados totalmente, provocam reações químicas ácidas, originando a degradação do papel.
O papel é composto basicamente de fibra de celulose e aditivos sendo que estes contribuem para obtenção de papéis mais lisos, homogêneos, com melhor acabamento e mais aptos à impressão. Esses aditivos poderão reagir entre si, formando ácidos que destroem o papel. Outro fator de deterioração intrínseca nos papéis é o uso de fibras não purificadas, isto é, das quais não se removeu a lignina,que afeta a resistência do papel envelhecendo-o rápido, desencadeando um acelerado processo ácido. O papel ácido apresenta-se geralmente duro e frágil e em geral escurecido.

        
Figura 1 – Acidez no papel



No passado, foi muito utilizada a tinta ferrogálicaque é composta de sulfato de ferro, ácido galotânico (tanino)6 e um aglutinante para fixar a tinta no papel (geralmente a goma arábica dissolvida em água). Os principais riscos decorrentes do uso dessa tinta são: corrosão do documento, rompimento do suporte nas áreas contendo a tinta, migração da tinta para o verso, esmaecimento da tinta, perda de material e informação e papel quebradiço.

          Figura 2 – Documento escrito com tinta ferrogálica

 

    A acidez, portanto, também pode ser considerada uma causa da degradação interna do papel. Conforme já mencionado, ela pode ser proveniente da própria fabricação do papel ou também de fatores externos. Quanto à fabricação, os fatores mais frequentes da acidez são: uso de colas ácidas, retirada incompleta da lignina, uso de água acidulada7 pela presença de metais como ferro e para papéis coloridos devido ao emprego de tintas ácidas.

            Assim como a acidez, outra causa interna da degradação do papel é a alcalinidade. O excesso de alcalinidade não é muito frequente e,quando presente, normalmente se deve a algum acidente ou tratamento anterior utilizado indevidamente. Produtos utilizados para a eliminação da lignina existente na madeira (soda cáustica) e derivados do cloro, produtos utilizados para clareamento, quando não são bem eliminados, continuam agindo sobre o papel, deixando-o constantemente úmido.

Glossário:

1 e 2 - Acidez e Alcalinidade: valor do pH diz respeito ao grau de concentração de íons de hidrogênio num suporte, sendo expresso numa escala logarítimica de 0 (zero) a 14 (quatorze), sendo 7 (sete) o ponto neutro. Os valores acima de 7 (sete) caracterizam o estado alcalino e os inferiores, a acidez. Sua medição se faz com um aparelho chamado pHmetro (peagâmetro).
3 Lignina: é encontrada nas plantas terrestres, associado à parede celular vegetal, cuja função é de conferir rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques microbiológicos e mecânicos aos tecidos vegetais.
4 Mata-borrão: é um papel que se caracteriza por seu grande poder de absorção. Muito utilizado em procedimentos de conservação e restauro, servindo de planificação e secagem de documentos.
5 Tinta ferrogálica: é uma das tintas mais importantes da história do ocidente, conhecida pelos romanos e utilizada desde a Alta Idade Média (século XII). É uma tinta difícil de apagar. Essa tinta em contato com a luz e o oxigênio se torna corrosiva e ataca o suporte papel, pergaminho, entre outros.
6 Ácido galotânico: é um tanino extraído da noz de galha, formado no carvalho (árvore).
7 Acidulada: é a mistura da água com algum tipo de substância ácida.

Fonte:
Disponível em: http://panucarmi2.wikidot.com/factores-internos-de-degradacao . Acesso em 08 maio 2013.
Kurtz, C. M. S.; Abreu, V. B. L. Curso de Conservação de Documentos. Associação dos Arquivistas do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2003.
Arquivo Nacional. Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística. Rio de Janeiro, 2005.


   
  

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