27 de abr de 2011

A FERROVIA DO RIACHO



“O fluxo de veranistas
para a Tristeza e Pedra Redonda
provocou um surto de desenvolvimento...”


As fontes de pesquisa existentes no Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho,agregadas a fontes de outras instituições,geram conhecimento, muitas vezes traduzido em teses e dissertações acadêmicas. Estas retornam ao Arquivo como novas fontes de pesquisa, ampliando as possibilidades de apropriação da memória cultural. Exemplo disso, é a dissertação de mestrado do arquiteto André Huyer,intitulada A Ferrovia do Riacho: um caminho para a urbanização da zona sul de Porto Alegre, doada por ele ao Arquivo. Entre as fontes consultadas pelo autor nesta Instituição, podemos citar as Atas da Câmara de Vereadores do fim do século XIX e livros como Porto Alegre, origem e crescimento, de Riopardense de Macedo.




A dissertação pretende definir as causas e consequências da construção da ferrovia. A origem remonta ao final do século XIX, por necessidade de transportar os dejetos para serem jogados no Guaíba, em local periférico,poupando a região central da Cidade. A primeira viagem na ferrovia para despejo sanitário na Ponta do Melo foi em novembro de 1899. Como vemos, a prioridade de transporte ferroviário para a zona sul era de asseio, saneamento.




Mas em 1900, o trem iniciou o transporte de passageiros,como alternativa às diligências e ao transporte fluvial. Os moradores do centro eram atraídos por um ambiente mais higiênico e próprio para veraneio como era a zona sul com praia e ar puro, local bom para a saúde,segundo os médicos da época. O fluxo de veranistas para a Tristeza e Pedra Redonda provocou um surto de desenvolvimento,com aumento de consumo de produtos hortigranjeiros e pecuários, início da prestação de serviços na área terciária, loteamentos de chácaras. Já em 1901, abriram os primeiros hotéis na Tristeza.

No entanto, a Ferrovia do Riacho começou a decair nos anos 30, no governo de Alberto Bins, que, por problemas financeiros da Intendência, ofereceu a ferrovia para o Estado. Na época, os ônibus faziam forte concorrência aos trens.
A VFRGS assumiu a Ferrovia do Riacho mas, por problemas estruturais e conjunturais, desativou o transporte de passageiros em 1936 e o de carga em 1941.Com a enchente no mesmo ano, a ferrovia foi destruída e não recuperada.



1 comentários:

Noé Gomes disse...

Excelente post. Parabéns Noé Gomes

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