Nos últimos meses,
tenho visitado, quase que diariamente, o Arquivo Histórico de Porto Alegre com
o objetivo de pesquisar seu acervo.
Neste período, tenho tido o prazer, para além da minha pesquisa, de observar
seu funcionamento e a importância para a Cidade como fonte de informação
e conhecimento.
Imagino que muitas pessoas desconheçam o trabalho que lá é feito, e por este
motivo, fiz questão de registrar aqui minhas impressões sobre o trabalho
desenvolvido por seus funcionários, bem como a indiscutível importância do
Arquivo como fonte de informação, preservação, conhecimento e
reconhecimento da História.
Como
arquivista, sinto-me especialmente orgulhoso por termos acesso, com grande
qualidade, aos documentos pertencentes ao acervo,ampliando a razão de existir
dos arquivos históricos que é tornar acessível a um maior número de
pessoas suas referências do passado, na construção para o entendimento do
futuro. Saliento,ainda, que o acervo por si só não garante sua acessibilidade,
por isto é importante ressaltar a qualidade técnica dos seus funcionários, os
quais proporcionam aos pesquisadores e demais visitantes, a eficácia e o bom
atendimento para a conclusão das suas demandas.
Maurício
Ramos
Arquivista
3 de mai. de 2012
40 anos do Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho
O Arquivo Histórico Moysés Vellinho tem sido o ambiente de trabalho do grupo de pesquisa em Linguística Histórica formado inicialmente por Roberto Nasi acerca da coleta de dados para sua dissertação de mestrado. A pesquisa é realizada sob supervisão da orientadora, a Profa. Dra. Valéria Monaretto, com o objetivo de analisar regras variáveis fonológicas através do registro escrito em textos antigos. O grupo também conta com o auxílio dos bolsistas da graduação Rafael Silveira da Silva, Felipe Silveira e também contou, em algumas tardes com a ajuda da bolsista de graduação Melissa Osterlund.
A pesquisa segue o princípio do uniformitarismo de Labov (1994), que afirma que quando a língua perpetua e realiza sua transmissão através das épocas, conclui-se que os contrastes e elementos representados estavam sim, na língua mais antiga.
Em vista disso, pretendemos analisar a variação da fala expressa através da escrita. Tomamos o texto escrito como “o ato de fala supostamente ouvido” (Schneider, 2003), aceitando que a “ortografia sugere processos fonológicos”, e filtrando o lixo ortográfico (lapsus calami), a variação puramente gráfica a fim de coletarmos dados de ortografia significativamente fonológica (Lass, 2000), isto é, palavras nas quais a relação entre som e letra realmente revele algum comportamento de variação já atestada.
Conforme os processos fonológicos já atestados na sincronia (em trabalhos que analisam o comportamento de falantes), pretendemos atestar a variação fonológica também existente na época da escrita dos jornais gaúchos do século XIX.
Primeiramente estão sendo analisados os jornais do Arquivo Histórico Moysés Vellinho. Nos baseamos na tipologia trazida por Monaretto (2005) e criamos um quadro para classificar o tipo de dado coletado de acordo com a regra variável que ele possibilita analisar.
Abaixo, alguns exemplos de dados coletados:
Na seção “Periquitada” em “A Gazetinha” do dia 22 de novembro de 1891, vemos a harmonia vocálica em “muchila”.
Na edição de O Povo, 24 d outubro de 1838, vemos a palavra "distino" atestando o mesmo fenômeno.
A pesquisa está em caráter preliminar, o que ainda nos traz um número de dados reduzido para uma análise mais quantitativa. Esse tipo de estudo, devido a certas dificuldades para a execução de todas as estratégias de análise propostas, toma um caráter mais qualitativo em seus resultados.
Referências
LASS, R. Historical linguistics and language change.Cambridge studies in Linguistic. University Press. 2000
LABOV, W. Principles of Linguistics Change. Vol.1: Internal Factors.Blackwell. 1994.
MONARETTO, V. O estudo da mudança de som no registro escrito: fonte para o estudo da fonologia diacrônica. Letras de Hoje. Porto Alegre, v.40, nº3, p.117-135. 2005
SANKOFF, David. Variable rules. In: AMMON, Ulrich; DITMAR, Norbert; MATTEIR, Klaus (eds.) Sociolinguistics: an international handbook of language and the society. New York, Walter de Gruyter, 1988. p.984-988.___ (org.) . Diversity and Diachrony. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 1988.
SCHNEIDER, E. Investigating Variation and Change in Written Documents. In: Chambers, J. K., Peter Trudgill And Natalie Schilling-Estes (Eds). The Handbook of Language Variation and Change. Blackwell Publishing, 2003.
[1] Mestrando em Teoria e Análise Linguística - Fonologia e Morfologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Instado a depor sobre a importância do acervo e das condições materiais, com vistas à pesquisa histórica, do Arquivo Histórico de Porto Alegre, senti-me sobremodo dignificado e honrado, justamente por causa da sua significação e da sua utilidade, para os que buscam trazer à luz mormente os assuntos que dizem respeito ao município ou que neste se centralizam. De outra parte, as instalações também se ajustam às finalidades dos que pesquisam, sem esquecer ademais o tratamento atencioso dos que auxiliam e orientam os pesquisadores.
Para mim, pessoalmente, o Arquivo significa ainda mais, pois que tive a oportunidade, na condição de vereador porto-alegrense , de promover o tombamento dos prédios, nos quais ele se localiza. Esses dois casarões, que foram construídos pelo Dr. Malheiros, no final do séc. XIX, sediaram colégios de nível elementar, dentre os quais o Grupo Escolar Apeles Porto Alegre, no qual tive a honra de estudar nos anos 50 do século passado. Como edil, senti-me na obrigação, com aqueles que, como eu, residiram ou residem na Rua Teixeira de Freitas e adjacências, e que frequentaram o Apeles, de tombá-lo, o que consegui. Satisfiz um dever moral e, atualmente, minha satisfação se redobra em virtude da importância que hoje possui o Arquivo.
Muitas pesquisas tenho feito no Arquivo, sobretudo acerca do Grande Partenon e do Partenon Literário. No momento, pesquiso sobre o Bairro Glória e adjacências, para o que o valor do material oferecido pelo Arquivo é expressivo. Se o Partenon instiga a curiosidade desde a criação do Arraial do Partenon, a Glória também conta com um encaminhamento histórico notável, desde a sua fundação no final do séc. XIX, por Luiz da Silveira Nunes.
Os servidores municipais, responsáveis pelo andamento prestimoso e valioso das atividades do Arquivo, também merecem, por dever de justiça, o nosso reconhecimento e recomendação.
Porto Alegre, 22 de outubro de 2011
O historiador Cyro Martini pesquisando no AHPAMV
15 de ago. de 2011
Genealogia e História de Família
A importância da pesquisa no Arquivo
Do grego genea (geração) logia (estudo, ciência, estudo), a genealogia é o estudo das gerações. Para Joaquim Tambosi, genealogia é “manter os antepassados vivos na memória dos descendentes; é a busca de informações para montar a árvore genealógica (nomes, datas e lugares dos antepassados)”. Luciana Grings, por sua vez, afirma que a pesquisa genealógica é uma fronteira entre a memória e a história, sendo objetiva e documental, mas também subjetiva, afetiva e mística, mágica, volúvel, sentimental.
Maria Helena Agra e Viviane Velloso pesquisando no Arquivo.
Para nós, o significado da genealogia transcende o tempo e o espaço, transportando-nos a histórias familiares em seus “pequenos mundos”. Através do domínio sem fim de fontes de pesquisa, podemos perceber a família, enquanto unidade interior, com suas regras próprias, conflitos, como valores, elementos dinâmicos de coesão e ruptura, mas também a entendemos como instrumento essencial de interpretação de movimentos e estratégias sociais, atuante e voltada para o exterior.Por isso, é imprescindível a pesquisa minuciosa em diferentes acervos. Através do trabalho incansável da coleta de dados nos mais variados documentos, é possível descobrir sobre a vida de cada indivíduo, desde seus elementos mais básicos da vida (nascimento, casamento e falecimento) até suas relações sociais, econômicas, culturais etc.
A parceria entre a genealogia e a História é inevitável, na qual o pesquisador deve ser persistente, pois o processo investigativo resgata fragmentos que vão demonstrando a complexidade de um estudo que envolve pessoas que, como nós, passaram os dias de suas vidas instalando-se, adaptando-se, sobrevivendo. Do mesmo modo, à medida que vamos coletando informações sobre cada indivíduo deparamo-nos com grande quantidade de detalhes possíveis de serem capturados na documentação disponível em arquivos e em nossos acervos familiares.
Exemplo vivo desse contexto é a documentação existente no Arquivo Moysés Vellinho. Foi inteiramente surpreendente, ao investigar a família de Serafim dos Anjos França, antepassado de uma de nossas colaboradoras, descobrir que ele havia doado as pedras usadas no feitio dos paredões da Alfândega. Na Correspondência Expedida pela Câmara, encontramos um ofício dos vereadores, agradecendo a doação:
Apesar de dispersos, o olhar do pesquisador – unido às tradições familiares – desvendam histórias e mergulham no passado que se revela através dos fragmentos de vidas. E esses fragmentos são relíquias que possibilitam tornar verdadeiras as vidas de pessoas que nos precederam. É por isso que devemos manter o passado sempre dentro de nós, existência inerente (às vezes oculta), mas sempre presente...
Estou hoje sentado no mesmo ambiente que foi minha sala de aula no início da década de 60,no então Grupo Escolar Apeles Porto Alegre- hoje Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho - que abrigou também,nos anos 20,meu pai e minha mãe,localizado defronte ao terreno onde fui gerado,bem próximo à casa Edos avós paternos.Ainda está no mesmo local e não muito distante da casa em que nasci.
Muito próximo também, aos fundos ,o Colégio Santo Antônio onde estudei, que teve sua origem na casa da esquina da Rua Luiz de Camões (antiga 18 de Junho),com Av .Bento Gonçalves (antiga Estrada do Mato Grosso),no ano de 1903,e abriga hoje a Sociedade Espírita "Caminho da Luz", ali instalada desde 1932.
A casa de meus avós maternos fica não muito distante,na Rua Gonçalves Ledo. A Escola Particular,da Professora Dona Elusa, na Rua Evaristo da Veiga,onde cursei meus primeiros anos primários,que foram a base sólidapara meu caminho de aprendizado escolar.
Assim que, hoje no século 21, desenvolvo,no AHPAMV,minha pesquisa,a coleta de dados,assessorado e orientado por funcionários atenciosos,dedicados e presentes,sempre auxiliando e acrescentando,com alguma obra do acervo,com o objetivo de valorizar o trabalho de buscar a memória da Cidade e do mundo.
Registro desta forma, muito particular e pessoal, meu agradecimento a todos que são responsáveis pela abertura deste "tesouro" escondido no interior desta bela casa, preservada e tombada pela EPHAC e pela sociedade desta Porto Alegre que hoje pesquiso e, em breve,estará nos arquivos em forma de livro,para que outras gerações possam pesquisar onde pesquisei.
Um abraço a todos da equipe do AHPAMV
INVERNO-Julho de 2011
William Cunha Pupe
Arquiteto/Urbanista/Professor/Pesquisador
10 de jun. de 2011
O ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL E A HISTÓRIA DA CIDADE
“... não são muitos os pesquisadores
da história porto-alegrense,
embora estejam em crescimento
nos últimos tempos.”
Talvez em Porto Alegre, pouca gente saiba o quanto vale o Arquivo Histórico Municipal como repositório de documentos sobre a Cidade. Como a historiografia gaúcha tem-se voltado mais para os fatos políticos e bélicos do Estado como um todo, não são muitos os pesquisadores da história porto-alegrense, embora estejam em crescimento nos últimos tempos.
Tive a satisfação de garimpar informações, durante vários anos, nos livros de atas da Câmara Municipal desde seus primórdios, para escrever meu livro Porto Alegre: guia histórico. Depois, em outras oportunidades, tenho frequentado esse excelente Arquivo, para a elaboração de outros trabalhos, como agora acontece, e sempre fui muito bem atendido pelo seu quadro de funcionários.
O mundo acadêmico, tanto de professores como de alunos, deveria valorizar mais este colossal acervo de documentos da vida porto-alegrense, que se inicia em meados do século 18, com muito boa conservação e organização exemplar
Dois belos casarões do século XIX abrigam a História da Capital gaúcha. Com a missão de organizar, guardar e conservar cerca de um milhão e 500 mil documentos datados desde 1764, o Arquivo Histórico de Porto Alegre investe também na educação patrimonial, fundamental para que a comunidade faça parte da grande tarefa de preservar sua memória.
O Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho é órgão da Prefeitura de Porto Alegre, sob a administração da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.
Horário de atendimento:
Manhã: 9h às 12h
Tarde: 14h às 17h
HORÁRIO DAS 12h às 14h - Higienização da sala de pesquisa e intervalo de almoço da equipe de plantão.
ATENDIMENTO PRESENCIAL MEDIANTE AGENDAMENTO exclusivamente pelo e-mail: arquivohistorico@smc.prefpoa.com.br
INFORMAÇÕES AOS PESQUISADORES:
O consulente deve, antes de solicitar agendamento para PESQUISA, nos informar sobre o que deseja pesquisar para lhe confirmarmos se possuímos tais informações/documentos ou orientá-lo em qual(quais) outra(s) Instituição(ões) poderá localizar a informação/documento.
Para PESQUISAS atendemos presencialmente por agendamento, exclusivamente por este e-mail, arquivohistorico@smc.prefpoa.com.br as TERÇAS e QUINTAS-FEIRAS, nos turnos da manhã, das 09h as 12h e a tarde, das 14h as 17h, duas vagas por turno.
Por gentileza, nos informe em sua solicitação de agendamento de PESQUISA os seguintes dados:
* Assunto e/ou documentos a serem pesquisados
* Dia (Terça ou Quinta) e turno (Manhã e/ou tarde) a verificar disponibilidade de agendamento.
* Nome completo
* RG
* Cidade de residência
OBS.: Pesquisador deverá trazer seus EPI's (luvas e máscara)
* Informamos que a única forma de reprodução dos documentos consultados é através de fotografia, vedado o uso de "flash", em equipamento do próprio pesquisador.
** Devido a segurança operacional do acervo há um limite de documentos a serem consultados por pesquisador por turno correspondente a cinco volumes (Caixas, encadernações de jornais, mapas, livros e recortes de jornais).
*** O limite de tolerância para a chegada do pesquisador é de até uma hora do início do turno do agendamento, ou seja, até as 10h no turno da manhã e até as 15h no turno da tarde. A fim de proporcionar a adequada realização dos procedimentos de atendimento e a consulta cuidadosa pelo consulente dos documentos públicos custodiados pelo AH.
**** Os pesquisadores devem encerrar suas atividades e guardarem seus pertences 15min. antes do encerramento do expediente, em cada turno, a fim de que a equipe de plantão possa guardar os documentos consultados na reserva técnica e realizar os procedimentos de fechamento da instituição para o intervalo de almoço ao final da manhã e para o encerramento do expediente ao final da tarde.
INFORMAÇÕES AOS VISITANTES:
Para VISITAS GUIADAS atendemos presencialmente por agendamento, exclusivamente por este e-mail, arquivohistorico@smc.prefpoa.com.br preferencialmente, as SEGUNDAS e QUARTAS-FEIRAS, nos turnos da manhã, das 09h as 12h e a tarde,
das 14h as 17h, duas vagas por turno.
Por gentileza, nos informe em sua solicitação de agendamento de VISITA GUIADA os seguintes dados:
* Dia (Segunda ou Quarta) e turno (Manhã e/ou tarde) a verificar disponibilidade de agendamento.
* Nome completo do(s) responsáveis pelo pedido de agendamento
* RG
* Cidade de residência
* Quantidade de pessoas: Limitado a 30 pessoas por visita (Devido ao nosso espaço físico, segurança institucional e melhor aproveitamento pelos visitantes).
* Nome da instituição e curso, se for o caso.
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