30 de jun. de 2020


Territórios negros e as memórias dos bairros de 
Porto Alegre: um primeiro olhar sobre as fontes do 
Arquivo Histórico Moysés Vellinho

THIAGO FRAZZON AREND

O Arquivo Histórico de Porto Alegre (AHPAMV) é um excelente lugar para aqueles que desejam investigar sobre a história dos bairros da cidade. Seja através da biblioteca, seja por meio dos documentos guardados na reserva técnica, o arquivo mantém uma coleção significativa de sínteses sobre a formação e história desses bairros, além de mapas, plantas e reportagens representando suas regiões e versando sobre acontecimentos diversos que ali tenham tomado lugar. Não é à toa que uma considerável parte dos visitantes que o Arquivo recebe venham justamente à procura deste tipo de pesquisa de caráter mais local: pesquisa-se um bairro, uma rua, um lugar específico da cidade ou de sua região metropolitana.
Os mapas e plantas são fontes importantes para se aproximar da história local da cidade. Com o conjunto de mapas disposto na mapoteca do AHPAMV podemos entrar em contato com a geografia da cidade, os nomes das ruas e dos bairros e a organização espacial deles. Outra vantagem em se utilizar essas fontes é a possibilidade de se analisar tudo isso em vários momentos históricos distintos, percebendo-se a evolução da dinâmica urbana na cidade ao longo do tempo. O aspecto que torna interessante o estudo dos mapas dentro da história é a possibilidade de compreender como a geografia condiciona e molda as relações sociais e como estas modificam o espaço. Muitos aspectos sociais e espaciais mudaram na cidade desde o começo do seu povoamento, em fins do século XVIII, basta que os profissionais ligados à história saibam fazer as perguntas certas para que possam, então, descobrir um universo de possibilidades de pesquisa.


Planta de Porto Alegre de 1896. Fonte: Projeto Cartografia Histórica de POA - IHGRS

Dentre as diversas pessoas que utilizaram, entre as fontes de sua pesquisa, os mapas e as plantas de Porto Alegre guardados no AHPAMV, podemos destacar Daniela Machado Vieira, mestre e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (POSGEA - UFRGS). O trabalho intitulado “Territórios Negros em Porto Alegre/RS (1800-1970): geografia histórica da presença negra no espaço urbano”, defendido em 2017, rendeu diversos prêmios à Daniela, entre eles o XI Prêmio Brasileiro “Política e Planejamento urbano de dissertação de mestrado, além da “Menção Honrosa de Dissertação do Prêmio Maurício de Almeida Abreu”.
Daniela reconhece como território negro o “espaço físico e simbólico configurado a partir da função (de habitação, trabalho, lazer etc.) e/ou de práticas culturais (como o batuque, o carnaval, a religiosidade etc.) exercidas por mulheres e homens negros, cuja significação é construída a partir da presença negra e/ou das atividades desenvolvidas por estes” (VIEIRA, D. M., 2017). O trabalho da autora é fundamental no sentido de trazer à tona uma cartografia desses territórios, mostrando a presença, desde pelo menos o início do século XIX, de famílias negras em muitos espaços da cidade, principalmente naqueles onde hoje se pretende apagar e mascarar essa ocupação e participação cotidiana anterior.
O trabalho também leva em consideração que os mapas não podem ser vistos e tomados como fontes “mortas” e “frias”, à espera de uma leitura simples e direta. Pelo contrário, os mapas são construções políticas e, segundo a autora, houve tentativas pontuais em se apagar ou obstruir a imagem da população negra em Porto Alegre, começando pela própria falta de representação direta na representação cartográfica: até a conclusão da dissertação, não havia mapas mostrando exatamente a localização desses territórios, os quais foram mapeados por Daniela em sua pesquisa.

Região de Porto Alegre conhecida como “Ilhota”. Fonte:


São alguns dos territórios que foram mapeados pela autora: a região dos Mercados (Largo da Quitanda e Praça Paraíso), a Irmandade do Rosário, a Rua do Arvoredo, o Beco do Poço, uma parte da Várzea, o Areal da Baronesa, a Ilhota, a Colônia Africana e o Mont’Serrat. A maioria desses espaços teve seu nome modificado ao longo do tempo, talvez com o intuito de deixar de lado a história atrelada à antiga nomenclatura, de modo que, se o pesquisador não tem um olho já treinado, fica difícil encontrar o espaço no mapa com rapidez. Além disso, a maioria desses locais e bairros teve episódios de remoção compulsória de seus moradores, os quais foram sendo realocados cada vez mais para as zonas periféricas da cidade. Esse processo, no qual as populações de menor renda são afastadas das áreas centrais das cidades e movidas para as partes periféricas, o qual não deixou de existir com o passar dos anos, é aquilo que os geógrafos caracterizam como gentrificação.


De fato, estudar os mapas e plantas de Porto Alegre é também perceber, ao longo do tempo, estas migrações a que muitas famílias se veem obrigadas a realizar, algumas vezes inclusive por meio de força. Olhar os mapas, com o auxílio de senso crítico, permite visualizar essas pessoas em seus contextos geográficos, sociais e econômicos originais, entendendo os argumentos políticos que foram utilizados para dar conta desses translados, os quais quase sempre envolvem o imperativo do capital.


Referências
VIEIRA, Daniela Machado. Territórios Negros em Porto Alegre/RS (1800-1970): Geografia-histórica da presença negra no espaço urbano. 2017. 189 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2017.

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24 de jun. de 2020

ATENDIMENTO PRESENCIAL CANCELADO

INFORMAÇÕES E SOLICITAÇÕES: (51) 3289.8282 (horário comercial)


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DECRETO Nº 20.625, DE 23 DE JUNHO DE 2020.

Decreta o estado de calamidade pública e consolida as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do novo Coronavírus (COVID-19), no Município de Porto Alegre.

O PREFEITO MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE, no uso das atribuições que lhe confere o inciso II, do artigo 23 e o artigo 59 da Constituição Federal, o artigo 94, incisos II, IV e XVII, e o artigo 157 da Lei Orgânica do Município, e ainda com base no artigo 2º, inciso I, do Código Municipal de Saúde, Lei Federal nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, Portaria nº 188/GM/MS, de 4 de fevereiro de 2020, Portaria nº 356/GM/MS, de 11 de março de 2020, Decreto Estadual nº 55.240, de 2020, Decreto Federal nº 10.282, de 20 de março de 2020, e na Lei Complementar Federal nº 95, de 26 de fevereiro de 1998 


D E C R E T A:

Seção I
Do atendimento ao público

Art. 65. Ficam suspensas as atividades de atendimento ao público de forma presencial, resguardada a manutenção integral da prestação dos serviços essenciais.

§ 1º Os atendimentos deverão ser realizados, preferencialmente, por meio eletrônico, ou telefone, quando couber, podendo, excepcionalmente, se realizar através de agendamento individual em caso de necessidade. 

CAPÍTULO X DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 79. Fica revogado, por consolidação, o Decreto nº 20.534, de 31 de março de 2020, e suas alterações posteriores.

PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE, 23 de junho de 2020.

Nelson Marchezan Júnior,
 Prefeito de Porto Alegre.

8 de jun. de 2020



Bem vindos à 

"UMA SEMANA NO ARQUIVO  - 4ª edição"

PROJETO DESARQUIVANDO

Exibições de vídeos:
“Por de trás daquele muro tem um Arquivo
Visite  virtualmente o Arquivo Histórico Porto Alegre Moysés Vellinho.
Arquivo Histórico  entrevista Sérgio da Costa Franco”

Exposições virtuais:
“Caminhos dos Arquivos: nossas histórias nossas heranças”
https://www.caminhosdosarquivos.com/arquivo-historico-moyses-vellhinho

Acesse o link



3 de jun. de 2020


 De 08 a 14 de Junho de 2020

UMA SEMANA NO ARQUIVO – 4ª edição

PROJETO DESARQUIVANDO
Exibições de vídeos:
“Por de trás daquele muro tem um Arquivo
Visite  virtualmente o Arquivo Histórico Porto Alegre Moysés Vellinho.
Arquivo Histórico  entrevista Sérgio da Costa Franco”
Historiador, pesquisador , escritor sobre a história de Porto Alegre...
Exposições virtuais:
“Mulheres Negras fazendo História”
“Espaços Ameríndios em Porto Alegre”
“Caminhos dos Arquivos: nossas histórias nossas heranças”

Acesse os links

18 de mai. de 2020

QUARENTENA CORONA VÍRUS 



ESTAMOS ATENDENDO PRESENCIAL 

SOMENTE POR AGENDAMENTO 


Prezados pesquisadores, 

Ofereceremos 1 vaga na parte da manhã e 1 à tarde. 

OBS.: Pesquisador deverá trazer seus EPI's (luvas e máscara) 

HORÁRIOS DE ATENDIMENTO: Das 09h às 11h e das 13h às 15h. 

HORÁRIO DAS 11h às 13h: Higienização da sala de pesquisa. 

INFORMAÇÕES E SOLICITAÇÕES: 
(51) 3289.8282 ou 3289.8278 

E-mail: arquivohistorico@smc.prefpoa.com.br 

Visite nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/arquivohistoricopoa/


Atenciosamente, 

Equipe AHPAMV

12 de mai. de 2020

Projeto Desarquivando Arquivo Histórico Moysés Vellinho entrevista Sérgio da Costa Franco parte 5: Aprendendo na Prática

   Sérgio da Costa Franco escreveu diversos livros sobre porto alegre, incluindo "Porto Alegre Ano a Ano" (2012), "Crônicas Históricas" (2004), "Porto Alegre E Seu Comércio" (1983), "Santa Casa 200 Anos: Caridade E Ciência" (2003), entre outros fundamentais para compreender a história da cidade.
Além disso foi jornalista, advogado, professor e promotor de justiça. Chegou a ser presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, e é também membro do IHGB.

   Acima de tudo é um dos grandes pesquisadores da história de Porto Alegre.

   Neste vídeo, Sérgio nos conta como foi aprendendo a sua própria metodologia de pesquisa na prática. Também fala como ele considera que são os aspectos importantes de uma escrita da história, revelando as características de toda uma geração de historiadores.

https://youtu.be/zYr85E0zJ3c


28 de abr. de 2020

Estreou em 24 de abr. de 2020 

Projeto Desarquivando Arquivo Histórico Moysés Vellinho entrevista Sérgio da Costa Franco parte 4:

   Sérgio da Costa Franco escreveu diversos livros sobre porto alegre, incluindo "Porto Alegre Ano a Ano" (2012), "Crônicas Históricas" (2004), "Porto Alegre E Seu Comércio" (1983), "Santa Casa 200 Anos: Caridade E Ciência" (2003), entre outros fundamentais para compreender a história da cidade. 

   Além disso foi jornalista, advogado, professor e promotor de justiça. Chegou a ser presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, e é também membro do IHGB. Acima de tudo é um dos grandes pesquisadores da história de Porto Alegre. 

   Nesse vídeo, o historiador de POA fala sobre a sua trajetória, desde o momento que se interessou pela temática histórica, até construir sua carreira como historiador. Sérgio da Costa Franco escreve seus primeiros textos publicados no Correio do Povo, antes de colaborar em projetos como historiador. Seu trabalho com fontes primárias começa quando já era funcionário do judiciário em Soledade. Logo, começa a dedicar seu tempo para pesquisas documentais, em jornais e relatórios governamentais para fazer um dos trabalhos mais completos sobre a história de Porto Alegre: o "Guia Histórico" e "POA ano a ano", ambos trabalhos fundamentais para auxiliar o pesquisador no Arquivo Histórico Moysés Vellinho. 

   Sobre os entrevistadores: PROJETO DESARQUIVANDO 

   O projeto nasceu em 2018, a partir da constatação de que era necessário fazer circular o conhecimento guardado e produzido no Arquivo Histórico Moysés Vellinho. Também percebendo que era possível utilizar ferramentas, como a internet e as redes sociais para espalhar o conhecimento histórico, que muitas vezes permanece em círculos muito restritos de pesquisadores. Assim, o projeto Desarquivando busca através de plataformas digitais compartilhar o conhecimento histórico utilizando entrevistas, textos, imagens, etc... 

   Seus apoiadores são principalmente a diretora do AHPAMV Vera dos Santos, a historiadora (até 2018 da EPAHC) Marli Rejani, e os diversos estagiários que passaram pelo Arquivo nesses dois anos. Ainda está no começo, mas as ideias são muitas e as possibilidades também. Enfim, sabemos que nem todos tem o gosto pela disciplina história, mas sabemos que todos tem direito a saber sobre o passado do lugar onde vivem, e isso é o mais importante. 


Atenciosamente,

Equipe AHPAMV

 

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